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Disputa entre traficantes rivais chega às praias de Copacabana e Leme e afasta banhistas

Por Redação com O Globo
fevereiro 19, 2024

A rivalidade entre as facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) emergiu num dos principais cartões-postais do Rio: o trecho da praia entre Copacabana e Leme. Em três dias, do fim de janeiro ao início deste mês, episódios de violência — brigas e espancamentos que estariam relacionados com os grupos criminosos — foram registrados nas redes sociais. A confusão, de acordo com ambulantes, reduziu consideravelmente a circulação de banhistas nas áreas atingidas.

A segmentação da praia, segundo pessoas que trabalham ou frequentam a área em conflito, seria resultado de um acordo tácito estabelecido entre traficantes rivais. Um ambulante, que não quis ser identificado, contou que o estopim para a briga foi o momento em que cinco vendedores de milho cozido, que tinham cabelos pintados de vermelho (fato interpretado como uma menção ao CV), entraram no Leme, região onde há comunidades dominadas pelo TCP.

A ação foi considerada uma afronta à divisão de território estabelecida entre os grupos rivais. Um dos vendedores chegou a ser agredido. Em retaliação, colegas dos vendedores entraram no Leme munidos de pedaços de madeira nas mãos. Em um dos vídeos, dois homens aparecem caídos na beira do mar e são socorridos por salva-vidas que trabalham no local.

— O pessoal do CV também não gostou quando os vendedores de bala do Leme foram para Copacabana. Eles tinham o esquema deles por lá. Depois disso, veio a história dos vendedores de milho — conta um vendedor.

Segundo barraqueiros da região, episódios similares aconteceram na terça-feira, dia 30, na quarta-feira, 31, e na quinta-feira, 1º de fevereiro. As restrições, de acordo com todos que foram ouvidos, era apenas para vendedores de bala e de milho.

Faca na cintura

Os casos não chegaram à Polícia Civil, que não tem registros de ocorrência relacionados a esses episódios. Na 12ª DP (Copacabana), delegacia mais próxima dos conflitos, não havia inquéritos abertos sobre as confusões na praia, segundo informaram investigadores ao GLOBO. Também não há inquérito aberto sobre essa divisão territorial nas praias de Copacabana e do Leme.

Outro ambulante ouvido pelo GLOBO contou que não estava sabendo da confusão até segunda-feira, quando andou até a altura do Copacabana Palace, entre os postos 2 e 3 da orla, para vender seus produtos. Na ocasião, ele diz ter sido parado por um homem que tinha uma faca na cintura. Foi questionado bem em frente ao hotel cinco estrelas sobre onde costumava guardar seu material, explicou que era do Leme e recebeu o ultimato: ele não deveria voltar ali. Por medo, mesmo tendo ouvido rumores sobre uma suposta pacificação, ele passou a evitar Copacabana e limitar sua área de atuação ao Leme.

Um terceiro homem também comentou sobre a situação, mas disse que “os lados já entraram em acordo”. Apesar de não saber quem firmou tal acerto ou quando isso aconteceu, ele creditou o cessar-fogo ao carnaval.

Outra das pessoas ouvidas pelo GLOBO, sob compreensível condição de anonimato, afirmou que a “barreira” entre as praias não é um acordo entre chefes do tráfico nos morros, mas restrição imposta pelos próprios moradores, por medo:

— Os moradores das favelas do Terceiro Comando ficam naquela área ali do Leme. Na outra parte, a de Copacabana, moradores, por exemplo, do Cantagalo-Pavão-Pavãozinho, que é do Comando Vermelho, preferem ficar por lá. Isso é algo que existe há anos — afirma um trabalhador da orla.

Operação Verão

Segundo ele, a briga deflagrada por causa da cor do cabelo dos vendedores de milho envolveu uma pequena parcela da população que levanta bandeiras para facções:

— Bandido mesmo não desce para a praia. O que acontece é que alguns levantam bandeiras. Muitos desses vendedores de milho são do Jacaré, de Manguinhos, que são de áreas controladas por facção rival do TCP. Mas também tem muitos ambulantes que moram nessas regiões e que são neutros, que não levantam bandeiras.

Segundo o Corpo de Bombeiros, todas as vítimas acolhidas pelos salva-vidas no primeiro dia de confusão se negaram a receber atendimento médico. Ambulâncias do Samu foram solicitadas, mas, em seguida, dispensadas.

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